Operação Erga Omnes: servidora ligada a David Almeida é presa sob suspeita de vínculo com facção criminosa no Amazonas

As informações desta reportagem foram consolidadas com base em registros oficiais do Portal da Transparência da Casa Civil, além de documentos judiciais e reportagens jornalísticas verificadas.

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Amazonas, denominada Operação Erga Omnes, revelou um cenário considerado alarmante pelas autoridades. O caso envolve Anabela Cardoso de Freitas, apontada em reportagens como uma das pessoas de maior confiança do prefeito de Manaus e ex-governador, David Almeida.
Anabela foi presa preventivamente, acusada de suposta associação com o Comando Vermelho (CV) e de atuar como elo entre o crime organizado e estruturas políticas do Estado e do Município. Segundo os autos, Anabela   teria dividido sua   influência de forma estratégica entre as duas esferas de poder.

NO ÂMBITO ESTADUAL: Documentos oficiais da Casa Civil do Amazonas indicam que, em fevereiro de 2026, ela ocupava o cargo de Assessora Técnica, admitida em novembro de 2023. A servidora era lotada na estrutura disponibilizada pelo Estado para atender o ex-governador David Almeida, mantendo vínculo efetivo como Investigadora de Polícia de 3ª Classe.

Embora o Portal da Transparência do Amazonas indique remuneração bruta de R$ 6 mil nessa função, as investigações apontam que seus rendimentos reais eram muito superiores, devido ao acúmulo de cargos e funções.

NO ÂMBITO MUNICIPAL: Paralelamente, Anabela exercia funções de confiança na Prefeitura de Manaus, onde atuou como Chefe de Gabinete da Casa Civil Municipal e, mais recentemente, integrava a Comissão Municipal de Licitação de Manaus (CML), setor responsável pela tramitação de contratos e gastos públicos.

Dados públicos indicam que, na esfera municipal, seus salários chegavam a R$ 22 mil, com picos de até R$ 42 mil em um único mês. Em períodos de acúmulo, sua remuneração total entre Estado e Município ultrapassava R$ 26 mil, conforme denúncias e registros oficiais.

O caso ganha gravidade diante do contraste entre as funções públicas exercidas e o relatório policial, que descreve Anabela como uma das principais articuladoras financeiras do grupo investigado. A Polícia Civil apontou movimentações bancárias de cerca de R$ 1,5 milhão, além de transferências para empresas investigadas como de fachada, supostamente utilizadas para lavagem de dinheiro. A organização criminosa, segundo a investigação, teria movimentado mais de R$ 70 milhões.

A RELAÇÃO ENTRE ANABELA E DAVID ALMEIDA: Desde os tempos da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), passando pelo Governo do Estado até a Prefeitura de Manaus, vem sendo amplamente destacada pela imprensa local.
A prisão de uma investigadora de polícia que atuava simultaneamente em gabinetes políticos e comissões de licitação levanta questionamentos sobre a fiscalização das nomeações em cargos estratégicos da administração pública.

As informações desta reportagem foram consolidadas com base em registros oficiais do Portal da Transparência da Casa Civil, além de documentos judiciais e reportagens jornalísticas verificadas.

Até o fechamento desta edição, a defesa de Anabela Cardoso de Freitas não havia se manifestado sobre as acusações que motivaram sua prisão preventiva.
O prefeito David Almeida, que cumpria agenda externa, cancelou compromissos oficiais após a repercussão do caso e ainda não divulgou nota oficial sobre a situação de sua ex-assessora nas estruturas do Estado e do Município.
O espaço permanece aberto para que ambos, por meio de advogados ou assessorias, apresentem suas versões sobre os fatos relatados.

Fonte: Radar Amazônico

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